CABO VITÓRIO
OS CAVALOS EM DISPUTA PELO COMANDO DA PMDF
Bastidores revelam a corrida política que define o próximo comandante da corporação
A sucessão na PMDF virou um páreo de hipódromo. Palhares, Ítalo, Karla e Lemes disputam posição, cada um com seus padrinhos e esqueletos no armário, enquanto Ibaneis segura as rédeas finais.O império de Ana Paula à frente da PMDF se aproxima do fim. Com sua saída, abre-se uma disputa feroz pelo comando da corporação — não mais um simples ato administrativo, mas uma verdadeira corrida de cavalos. Cada competidor traz seu padrinho político, suas alianças de bastidores e, claro, seus esqueletos escondidos no armário.

No final, quem decide o páreo é o governador Ibaneis Rocha, mas a arquibancada — composta pela tropa e pela sociedade — acompanha atenta os movimentos.
Palhares: o cavalo com Padrinhos Sagrados

O primeiro a entrar na pista é o coronel Palhares, hoje chefe do Estado-Maior. Não por mérito ou reconhecimento da tropa, mas por uma equação política: o Secretário de Segurança, Sandro Avelar, pré-candidato a deputado federal, precisa manter o coronel Paulo André à frente do CONSEG, de onde acredita que extrairá votos para sua campanha. A saída encontrada foi lançar Palhares como aposta no páreo.
Nos bastidores, a estratégia ganha ainda mais força pelo lobby que Dona Aidê exerce em favor de Palhares. Figura respeitada e considerada quase sagrada dentro do governo de Ibaneis Rocha, Aidê carrega a fama de ser uma das raras vozes a quem o governador de fato costuma escutar.
Mas há um detalhe incômodo: antes de chegar ao Estado-Maior, Palhares foi alocado no Centro de Inteligência com a missão de tocar uma espécie de ABIN paralela em desfavor deste jornalista. Quando a manobra veio à tona, ele foi discretamente deslocado.
Ítalo: o cavalo da tropa (mas montado por Hermeto)

Do outro lado da raia está o coronel Ítalo, atual chefe do Departamento de Gestão de Pessoal (DGP). Entre praças e oficiais, é reconhecido como alguém respeitado, com capacidade de diálogo. O problema é o padrinho que o sustenta: o deputado distrital Hermeto, líder do governo Ibaneis, marcado pela pecha de usar o poder para perseguir inimigos internos e favorecer ilegalmente aliados.
Karla: a aposta da Mulher Maravilha

Keilla, a “Mulher Maravilha”, não se contenta em ser apenas a esposa do deputado Hermeto. Nos bastidores, mas com a permissão do paraLamentar, ela se empenha para emplacar a amiga coronel Karla, do DEC, como subcomandante. A cena, em vez de lembrar uma escolha séria para o alto comando, parece mais uma confraria de amigas decidindo quem vai ficar com a próxima poltrona — como se o quartel fosse um clube de afinidades pessoais.
Lemes: o cavalo do poderoso Nísio Tostes

Na terceira posição aparece o coronel Lemes, ligado ao Procurador de Justiça Nísio Tostes. Lemes nunca foi homem de tropa, sempre orbitou nos corredores do Ministério Público.
Contra ele, paira uma sombra pesada — uma investigação federal sigilosa envolvendo crime hediondo. Um fardo que, mesmo bem escondido nos bastidores, ameaça derrubá-lo antes da largada oficial. Talvez o melhor fosse este cavalo aceitar o destino e pendurar as ferraduras, antes que a corrida o faça tropeçar em público.

Quem cruza a linha de chegada?

Na teoria, todos correm pelo comando da PMDF. Na prática, nenhum cavalo representa competência administrativa: são cartas de jogatina política. Enquanto isso, a tropa — que deveria ser prioridade — assiste do alambrado, torcendo para que não termine o páreo apenas com a velha máxima: “ganhe quem ganhar, a tropa irá se foder”.



COMENTÁRIOS