CABO VITÓRIO
NEGAR REAJUSTE ÀS FORÇAS DE SEGURANÇA DO DF É DAR A IBANEIS UM CHEQUE EM BRANCO DE R$ 5,1 BILHÕES PARA TURBINAR SUA CAMPANHA AO SENADO
Com sobra de R$ 4 bilhões no Fundo Constitucional e previsão de mais R$ 2,6 bilhões em 2026, cortar o reajuste de 37% para apenas 18,8% não gera economia: apenas reforça a liberdade do GDF em manipular os recursos enquanto servidores ficam no prejuízo.
Enquanto a tropa amarga perdas salariais, Ibaneis recebe de mão beijada um cheque em branco de R$ 5,1 bilhões para turbinar sua campanha ao Senado — e Lula fica com o desgaste.Negar o reajuste integral às forças de segurança do Distrito Federal não representa economia: trata-se de um erro político que entrega a Ibaneis um cheque em branco superior a R$ 4 bilhões. A decisão não corta despesa federal nem cria poupança; apenas turbina o caixa do GDF e amplia o poder financeiro do governo Ibaneis/Celina.
O Fundo Constitucional do DF (FCDF) — instituído por lei para financiar segurança, saúde e educação do DF — é executado pelo governo local e cresce de acordo com a Receita Corrente Líquida da União. Para 2026, as projeções indicam um aporte de cerca de R$ 27,7 bilhões, o que significa uma alta de R$ 2,6 bilhões em relação ao ano anterior.
Ocorre que, quando esse valor não é destinado a essas finalidades, ele não retorna ao caixa da União. Permanece dentro do orçamento distrital, ampliando a folga financeira do GDF e oferecendo ao governo local maior liberdade para redirecionar recursos conforme seus interesses políticos.
É dentro desse cofre que se decide a disputa pelo reajuste. Atualmente, o GDF já deixa de aplicar mais de R$ 4 bilhões do fundo. O reajuste integral de 37% teria impacto de aproximadamente R$ 2,4 bilhões, valor que caberia dentro da sobra existente.
Ao propor apenas 18,8%, o governo federal não gera economia para si próprio; apenas preserva e amplia a margem de manobra do GDF dentro do FCDF — um orçamento que, por desenho constitucional, deveria estar carimbado para segurança, saúde e educação, mas que o Buriti tem usado para ampliar poder, construir influência e reforçar sua base política.
Em termos práticos, o governo Ibaneis/Celina já deixa de aplicar mais de R$ 4 bilhões do Fundo Constitucional, redirecionando-os para finalidades diversas por meio de manobras contábeis. Para 2026, a previsão é de que o fundo cresça em mais R$ 2,6 bilhões, elevando a sobra potencial para R$ 6,6 bilhões. Caso os 37% fossem aprovados, com impacto estimado de R$ 2,4 bilhões, ainda restariam R$ 4,2 bilhões sob livre disposição do GDF. Optando o Planalto por conceder apenas os 18,8%, que representam cerca de R$ 1,2 bilhão, o saldo livre em mãos do governo distrital subiria para R$ 5,1 bilhões — um verdadeiro cheque em branco.
Lula entregará a um adversário político o controle de um cofre bilionário, convertendo o Fundo Constitucional em moeda de barganha e poder local — enquanto a União abdica de retorno algum e assume sozinha o desgaste com as forças de segurança.
O efeito político é imediato: Ibaneis Rocha emerge fortalecido, com mais espaço orçamentário para compor alianças, sustentar sua base e ainda se apresentar como aliado das forças de segurança. O Planalto, por sua vez, assume o desgaste junto às corporações — policiais militares, civis e bombeiros — que seguem com perdas históricas sem recomposição.
Ao negar o reajuste integral, a União não corta despesa federal; apenas transfere o ônus, entrega bilhões em folga orçamentária ao governo local e fornece a Ibaneis o discurso de defensor da tropa. No contrapé, enfraquece Lula, que carrega sozinho a pecha de governante que negou a recomposição salarial da categoria mais estratégica da segurança pública.



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